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Como seu corpo conta a sua história?

  • Foto do escritor: ITHER
    ITHER
  • 6 de ago.
  • 3 min de leitura

Conheça como a Psicoterapia Corporal integra a escuta do corpo, das emoções e da história de cada pessoa.


Vivemos por meio do corpo


É com ele que percebemos o mundo, vivemos experiências, construímos vínculos, nos movimentamos, nos expressamos e participamos da vida. O corpo não é apenas aquilo que nos acompanha e sustenta: ele está presente em tudo o que fazemos.

Quando estamos felizes, nosso corpo se expande de uma maneira. Quando sentimos medo, podemos prender a respiração, encolher os ombros ou nos preparar para nos afastar. Diante de uma situação de ameaça, o coração pode acelerar e os músculos se tensionar. Quando nos sentimos seguros, talvez seja mais fácil respirar profundamente, relaxar e entrar em contato.


Mesmo quando não percebemos, corpo, emoções e pensamentos estão continuamente se influenciando e se relacionando.


Aquilo que pensamos pode influenciar o modo como sentimos, agimos e nos relacionamos. As emoções têm uma dimensão biológica: mobilizam processos fisiológicos e alteram nossa respiração, nossa postura, nosso ritmo e nossa disposição para agir. Ao mesmo tempo, as sensações e os estados do corpo influenciam nossa percepção, nossos pensamentos, nossas escolhas e a maneira como nos relacionamos com o mundo.


Somos uma unidade viva

A neurociência e outros campos contemporâneos vêm ampliando a compreensão sobre essa integração. Hoje sabemos que o cérebro não funciona isoladamente: ele está em comunicação contínua com o corpo, com o ambiente e com os contextos sociais e relacionais em que vivemos. Nossas emoções envolvem o sistema nervoso, os órgãos, os músculos, os sentidos, as sensações internas e as relações que estabelecemos.


Aquilo que vivemos modifica nossos estados corporais. E a maneira como o corpo está também influencia o modo como percebemos uma situação, pensamos sobre ela e respondemos ao que acontece.


Por isso, olhar para o corpo no processo terapêutico não significa abandonar a palavra nem reduzir uma experiência emocional a uma tensão muscular. Significa ampliar a escuta para incluir também aquilo que o corpo sente e expressa.


O corpo como expressão da nossa história de vida


Além de perguntar:

“O que aconteceu?”

Podemos também perguntar:

“Como seu corpo viveu essa experiência?”

“O que acontece com sua respiração quando você fala sobre isso?”

“Onde você percebe tensão, contenção ou desconforto?”

“Que movimento surge quando você entra em contato com essa emoção?”

“O que seu corpo parece precisar neste momento?”


Porque aquilo que ainda não conseguimos dizer já está sendo vivido no corpo.

Uma pessoa pode afirmar que está bem, mas perceber que mantém os ombros elevados, a mandíbula apertada e a respiração curta durante boa parte do dia. Pode dizer que uma situação “não a afetou”, mas sentir um nó na garganta ao tentar falar sobre ela. Ou pode não encontrar palavras para explicar o que está vivendo e, ainda assim, experimentar um aperto no peito, um peso no corpo, inquietação ou uma vontade intensa de se afastar.


O sentido dessas manifestações vai sendo construído na escuta, a partir da história, do contexto e da experiência singular de cada pessoa.


A contribuição de Wilhelm Reich: corpo e psiquismo como uma unidade


É nesse ponto que a contribuição de Wilhelm Reich se torna tão importante. Reich foi um dos pioneiros a compreender que corpo e mente não funcionam separados: nossas experiências, emoções e formas de nos proteger também podem se expressar na respiração, na postura, na voz, nos movimentos, nas tensões, em alguns sintomas e na maneira como nos relacionamos com o mundo.


Essa compreensão continua atual e dialoga com a neurociência e outros campos contemporâneos, que vêm ampliando o conhecimento sobre as relações entre cérebro, corpo, emoções, comportamento e ambiente, contribuindo para uma compreensão cada vez mais integrada do ser humano.


A Psicoterapia Corporal


É por meio desse olhar que desenvolvo meu trabalho em Psicoterapia Corporal. O processo terapêutico integra a escuta da palavra e do corpo, considerando a respiração, os movimentos, as emoções e as formas como cada pessoa se organiza diante da vida, a partir de sua própria história.


Ao ampliar a percepção corporal, podemos reconhecer padrões que se tornaram automáticos, compreender nossas necessidades e formas de expressão e abrir espaço para novas possibilidades de movimento, contato e escolha — no corpo, nas relações e na vida.



Esse trabalho acontece nos atendimentos individuais, de forma presencial e online, e também em experiências coletivas, como oficinas de movimento e vivências corporais. Ao criar espaço para perceber, sentir e escutar o corpo, podemos compreender nossa história de forma mais ampla e encontrar maneiras mais livres, presentes e vivas de estar na vida.


Luciane Costa Rabelo

Psicóloga

Psicoterapeuta Corporal

 
 
 

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